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Audiência na Câmara debate necessidade de Delegacia da Mulher 24 horas em Osasco

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Encontro também debateu estratégias de enfrentamento à violência de gênero no município.

Da Redação

Necessidade de ampliação do horário de atendimento da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero em Osasco. Essas foram as demandas identificadas durante Audiência Pública realizada pela Câmara Municipal de Osasco na noite da última segunda-feira (27).

O encontro reuniu representantes de movimentos sociais, advogados e especialistas em defesa dos direitos da mulher e da Polícia Civil.

Foto: Ricardo Migliorini / CMO.

O vereador Héber do JuntOz (PT) explicou que irá protocolar a ata da Audiência junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado e encaminhar as reivindicações apresentadas à Prefeitura de Osasco e a deputados estaduais. O objetivo é cobrar medidas efetivas para garantir atendimento integral às mulheres vítimas de violência na cidade. “Quando você chega lá com a ata e com todos os dados, tem um peso gigantesco”, disse, ao explicar os próximos passos que serão dados.

Violência em números

A audiência trouxe dados sobre a violência contra as mulheres em Osasco e nas cidades da região Oeste da Grande São Paulo. A advogada criminalista Ana Facillia Meira dos Santos apresentou estudo em que Osasco responde por 37% das ocorrências de violência doméstica regionais. Os dados concentram registros de ocorrências e inquéritos abertos entre 2019 e 2025. O ápice dos casos ocorreu em 2023, com 2,5 mil registros.

Segundo a especialista, os registros são subnotificados, porque a DDM não funciona nos finais de semana e feriados – período em que os casos de violência são mais frequentes. “Toda violência doméstica é também uma violência institucional, pois a ausência de autoridades contribui para o aumento da violência”, afirmou.

Representantes do Movimento Olga Benário apresentaram dados alarmantes sobre feminicídios e violência doméstica em nível nacional. Ana Clara Corrara explicou que o Brasil é o quinto país que mais mata mulheres e que, em 2025, houve o registro de 270 feminicídios somente no estado de São Paulo e 1,5 mil no país.

A ativista Fernanda Augusto reforçou que a violência acontece principalmente fora do horário comercial e que a DDM é o ponto de entrada para o recomeço das mulheres, mas necessita de mais investimentos, funcionários e ampliação da estrutura. O coletivo entregou à Comissão um abaixo-assinado com 1.598 adesões, pedindo a instalação da unidade 24 horas da DDM em Osasco.

A advogada Stephany de Carvalho Teodoro abordou a violência política de gênero e destacou a necessidade de maior participação feminina nos espaços de poder, assim como políticas que garantam equidade. Já Zélia Lucas recordou a criação do Centro de Referência Márcia Ribeiro em 2009 e defendeu políticas públicas de acolhimento humanizado às vítimas de violência.

O investigador-chefe da DDM de Osasco, André Pereira Aires, falou sobre o esforço em garantir atendimento e escuta às vítimas. A equipe conta com seis investigadores, oito escrivães e dois delegados, mas funciona apenas em horário comercial. “A minha grande batalha é que a mulher não seja vítima duas vezes”, disse.

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